Ricinus Botulinum

Perfume Barato
Perfume Barato
Perfume Barato

Perfume...
Barato!!!

Desconsolo


Tinha acabado de decidir
Ir buscar minha inspiração
Tarde demais
Pensei demais
Fumei demais
Fiquei sem um vintém
Fiquei sem aquele
Que me faz bem...

Faz bem ou mal?
Não sei
Onde anda
O sentido original...
Ali quem vira
Entre a lua
Palavras cruas
Sussurradas
Gritos de socorro
Fumados
Entre águas
Quebradas
Refúgio desesperado
À espera que o dia amanheça
Cobertos os olhos
Para que logo anoiteça

Se o teu dia é a noite
Vem a lua te iluminar
E a flor-de-liz
Te fazer feliz!
Se a lua é teu sol
És tu próprio teu farol
Dono do destino
Sois Capitão fidedigno
Pois um simples navegante
Segue a remar...
Tu, Capitão,
Nadas além mar!

Vira o dia
Saúdam-te os teus
Cantando-te
Cantos de pranto
Invejando
A sorte que Deus não lhes deu
O poder de escolher
Ser livre
E querer ser

Desculpe os versos meus
Que agora também são teus
Tantos versos escrevi à causa tua
À consequência do luar
A coragem veio me chamar
De todas as formas
Possíveis e impossíveis!
O desafio se assentou
A consciência me chamou

Desculpe se venho e vou
Sem querer
No limite do silêncio
Sou leal
Sem tu saber
Desculpe
Nem tentar te conquistar
Pois p’ra ti não sou ninguém...
Pois p’ra ti não sou ninguém...

E é assim, inspiração,
Não acredites no que digo
Tens nada à mão
Casada comigo mesma
Atingi libertação
Independente...
Do teu pedaço de carvão
Independente...
Da tua palavra
Nua, escancarada,
Morta, esquartejada

Pensava eu?
Teu lapso de loucura
Cair como uma luva?
O tiro de esperança
Acertou no ar
Distante...
Cabeça no vento
Distante...
Corpo no acalento

Caiu por terra
Poder te comparar
"Amar é a eterna inocência
E a única inocência não pensar..."
Jaz no vale do momento
Teus pés no firmamento
Atravessados a vagabundar

Chegaste ao fundo do poço, moço
Tudo que resta
É uma casa abandonada
Enfurnada em arvoredos
À chuva
Beirando o cemitério
Arrimada
Sob uma árvore
Velha, liquenada
Vômito abrupto
Desconsolado
Bafo corrupto!
Fogem lágrimas de ópio...
Bebi da tua última gota de amor-próprio!

O dia amanheceu
E os passarinhos não cantaram...


Mudanças

As coisas mudam mas o que escrevemos fica, para eterno equívoco de quem lê.

Francisco Seixas da Costa

Primavera

A PRIMAVERA CHEGOU MAIS CEDO EM COIMBRA...