Entre o que digo e o que calo
Existo? Quem é que me vê?Erro-me...
Entre o que digo e o que calo
Existo? Quem é que me vê?Entre a árvore e o vê-la
Onde está o sonho?
Que arco da ponte mais vela
Deus?... E eu fico tristonho
Por não saber se a curva da ponte
É a curva do horizonte...
Entre o que vive e a vida
Pra que lado corre o rio?
Árvore de folhas vestida -
Entre isso e Árvore há fio?
Pombas voando - o pombal
Está-lhes sempre à direita, ou é real?
Deus é um grande Intervalo,
Mas entre quê e quê?...
Entre o que digo e o que calo
Existo? Quem é que me vê?
Erro-me... E o pombal elevado
Está em torno na pomba, ou de lado?
Ocupo este lugar
De reencontros entre a morte e a vida
Olhar pra trás é perda de tempo.
Passado se fosse bom era presente
CL.
To live in this world
you must be able
to do three things:
to love what is mortal;
to hold it
against your own bones knowing
your own life depends on it;
and, when the time comes to
let it go,
to let it go
Ninguém sabe as dores que uma pessoa carrega.
Ninguém.
Sê humilde.
Por amor.
Mas também...
Pelo não acreditar nas capacidades.
Por saber que é o caminho mais simples e conveniente.
Seria também uma mentira?
Ou apenas irrelevante?
Inconsciente?
Duvido.
Tanta solidão
8 meses de um futuro incerto
Sinto-me estúpida
Realmente.
Fazer 3 salários mínimos a viver do que amo era mil vezes mais fácil.
Não tenho medo do caminho mais difícil.
Se tivesse não estava aqui.
Isso não quer dizer que não me sinta uma idiota por viver essa dura realidade.
Talvez um dia venha a ser bom e bonito.
Talvez.
Talvez.
Talvez.
De outra forma.
Bem.
Seria estúpido igual.
Estúpida é o raio da vida.
A que existe e a que não existe.
Vomito lixo...
Tanto lixo.
Sai das entranhas
Que outrora esmurraram.
E mando para adubo da terra que estupidamente me acolhe.
A vida é pesada.
Quem sabe as dores que uma pessoa carrega?
Se nem mesmo ela saberá.
A vida é pesada.
É lenta...
E dói.
Alegria procura-se,
Sobressair no meio de tanta dor
Difícil.
A vida é pesada.
Pesa.
Pesa nas costas
Pesa na cabeça
Pesa nas pernas
Pesa a vida que não dei a luz.
Pesa a vida que não lhe deram a luz.
Pesa
Pesa
Pesa
Arrasto-me.
Choro.
Deito-me.
Buscando apenas um pouco de descanso.
Do peso da vida.
Como tenho saudades de quem poderias ser,
Joana.
Que somos a tua família
E condenavas a forma como eu vivia a minha.
E eu que jamais levarei as tuas palavras, vazias de significado.
Estou preparada para o pior.
Porque só quando te vejo
Vejo cada vez mais distante
Longe, na mesma miséria de sempre
Mas disfarçada
Estou preparada.
Para o vazio, estéril
Para o nojo
E para tudo que advém
Do teu ser miserável
Há uma voz que pulsa, mas é preciso enterrar o velho para admitir o novo e houveram pontas realmente difíceis de enterrar.
Se há forma bonita de morrer, talvez seja essa ao escrever. Pois no vazio do silêncio, a escrita renasce a cada palavra.
No mais belo dos
cenários, talvez este seja o último suspiro de quem um dia, quis apegar-se à
imagem de quem não é.
Quem desejamos
ser é apenas uma utopia, a linha no horizonte.
No Nó da
existência, criamos parâmetros para encaixarmo-nos, quando precisamos apenas
Ser.
Se escrevesse
pelo menos mais do que queria, certamente seria mais perto de quem sou.
Se pudesse expor a minha escrita, viajaria anos-luz para mais perto de quem poderia ser.
A morte é lenta. A alquimia é forte. São anos de experiência que se retransformam numa nova forma de ser, estar e servir.
Dedico este Blog a mim, a ti e a todas as pontas soltas mortas e enterradas que adubam a terra dos novos começos.
Que posssamos re-nascer e nunca perder a esperança que paira, Na Linha do Horizonte.
As folhas secas caem ao chão numa dança suave, sem precisar de abanões.
Escrevo como as crianças que apanham nuvens em frascos.
Silêncio é ter clareza.
Silêncio é foco,
é conseguir focar num ponto, mesmo quando estás com imenso ruido à volta.
Silêncio é
tristeza, mas é também paz.
Na tristeza,
precisamos de silêncio. Para ouvir a nossa própria dor.
Silêncio é paz,
onde experenciamos uma onda sã.
Silêncio é amor.
Silêncio é
divino.
Silêncio é o meu
momento.
Silêncio é a vida
em movimento, em equilíbrio, onde consegues ouvir todas as tuas partes.
Silêncio é a
consciência.
Silêncio também é
dor. A ausência de palavras, a ausência de gestos, a ausência de cuidado,
ausência de carinho.

