Entraram
na minha casa. Não quebraram janelas, não arrombaram portas. Nenhum alarme foi
disparado, nenhum policial acionado. Nada. Nenhum barulho, nenhuma preocupação.
Um
estranho entrou em minha casa, pé ante pé, furtivo. Não era um ladrão, não
roubou nada; não era um assassino, ninguém foi ferido; não deixou rastros, mas
ainda está aqui. Usou minha própria chave.
Sentou-se
no sofá, fez um café, ligou a televisão. Olhou em volta, decidido. Trocou os
quadros, os vasos, as cores da parede. Mudou os móveis e até os cômodos de
lugar.
Quando
percebi, já não estava mais em casa. Nada ali dentro estava sob meu controle.
Assim, de repente, virei também uma estranha na história.
Há dois
estranhos na casa de um alguém qualquer.
— MLBM




0 comentários:
Postar um comentário