Onde há vontade, há um caminho

Passava os olhos pela prateleira do supermercado,

Algo chamou-me a atenção. 

Agarrei o pensamento. 

Enviar luz!

Desejar o bem. 


Nem vi o preço, 

Não hesitei. 


Ponderei. 


Devo enviar luz primeiro a mim. 


Acendi intencionando

Um espaço seguro e profundo


Continuei agarrada à ideia. 


Optei por uma luz mais banal. 

Tão banal quanto um chocolate de morango

Tão desconhecedor do dissabor que é receber um chocolate... de morango!


Continuei agarrada à ideia. 

Redigi uma carta na máquina de escrever.

Rabisquei à lápis todas as edições.


Depois, escrevi à mão...


Escrevi com a caneta que a minha mãe me deu,

mas que ainda pensas que foi de ti quem recebi.


Abençoei a vela,

Nutri-a com óleo de laranja doce. 

Desenhei o infinito na sua base. 


Embrulhei o melhor que pude, 

Em papel vermelho-vida

alegrado com mandalas. 


Demorei hora e meia a pensar. 

Entregar ou não entregar?


Porque entregar?

Qual é meu real objetivo?

Sinal de boa fé?

Ser vista?

Criar conexão?

Ser simplesmente Eu?


Seja qual for a intenção.


Olhei para trás. 

Tanto dei. 

Tanto dei.

Tanto dei.

Tanto dei.

Tão valorizadas foram,

que continuo a ser eu

a carregar as prendas que te dei.


Decidi entregar ao mar.

Ele saberia o que fazer.

Mas, afinal, não era lá que devia ficar.


Era para transmutar.

Entreguei ao fogo.

E, se a luz chegar.

Tanto me faz

Tanto me fez. 


Não tenho nada a ver com isso. 


A prenda afinal era minha,

Meu próprio processo de alinhar

Consciência e Comportamento.

Atitude e a vontade continuar a matar

Qualquer sinal de conexão

Para além da única função

que ainda tens.


A prenda afinal era minha...

Mais uma vez...

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